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ENGENHARIA, REENGENHARIA ou TECNOFOBIA

 

  

 

Engenharia,   Reengenharia  ou  Tecnofobia ?

 

 

        

 

         A tecnologia bem administrada contribuirá cada vez mais para o progresso da humanidade, porém é a engenharia que produz os meios materiais para o bem-estar e a segurança das pessoas. As demais áreas do conhecimento proporcionam as melhores condições para as decisões, em particular quanto a produção, aquisição e uso dos referidos meios materiais.

 

 

         As pessoas têm valores individuais muito significativos, de certa forma destacados pelo que chamamos de livre arbítrio. Decidir conscientemente é um ato privativo e permanente dos seres humanos. O excesso de tecnologia pode induzir as pessoas a decidirem por dois posicionamentos extremos e indesejáveis: a tecnocracia e a tecnofobia, subordinação ou medo da tecnologia. A divulgação intensa da evolução tecnológica pelos meios de comunicação também pode gerar reações extremadas de euforia ou de repulsa. A euforia tem provocado rápidas decepções e a repulsa retarda a utilização adequada da tecnologia.  

 

 

 

ENGENHARIA 

 

         A engenharia, como forma produtiva da tecnologia, depende do posicionamento mental favorável das pessoas, para ser efetiva na geração dos benefícios que as satisfaçam plenamente.  Precisamos utilizar melhor os recursos tecnológicos disponíveis. 

 

         O exemplo da engenharia nacional a credencia como forte agente das mudanças que atualmente desejamos para o nosso país. Seu ensino formal ultrapassa duzentos anos, tendo sido um ato de pioneirismo mundial dos portugueses nas terras brasileiras. O Largo de São Francisco no Rio de Janeiro foi o grande palco inicial do referido ensino, tendo como descendentes diretos o Instituto Militar de Engenharia (IME) na Praia Vermelha e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) na Ilha do Fundão, escolas exemplares de engenharia que se reproduziram por todo o país. Precisamos valorizar estas iniciativas, porque pessoas como nós, também rodeadas de muitas dificuldades, insistiram em realizar seus projetos. Mais do que saudar o passado, o que se deseja é questionar qual a nossa contribuição atual para que fatos desta grandeza venham a ser também motivadores para as gerações do futuro?

 

 

         Decidir com a sensibilidade dos ideais, a lucidez da realidade e a objetividade das coisas simples parece um bom caminho para um futuro gratificante. Fundamentar as decisões não é uma obrigação profissional apenas dos altos dirigentes, executivos e estrategistas, mas de todos os que gerenciam pessoas e empreendimentos de qualquer porte.

 

 

 

         O Método da Engenharia, cujos tópicos estão listados abaixo, tem fundamentado as decisões das diferentes fases da produção industrial através da administração do Ciclo de Vida dos Materiais e dos Sistemas, assegurando êxitos de operacionalização para vários setores da nossa economia, como as Telecomunicações, Petroquímica, Energia Elétrica e Transportes.  

 

                   - Definição do Produto

 

                   - Estudo de Viabilidade

 

                   - Projeto

 

                   - Documentação

 

                   - Fabricação

 

                   - Testes

 

                   - Modificações a nível de Modelo, Protótipo e Produção

 

                     

 

         E o Ciclo de Vida das Organizações e das Pessoas ?

 

 

         A engenharia não foi atuante nestas áreas, apesar dos fundadores da denominada Administração Científica terem sido engenheiros. Criou-se a imagem de que a flexibilidade das organizações e das pessoas era incompatível com os rigores da engenharia. A administração deveria ter herdado da engenharia seu método simples e universal, acompanhado de quantificações para a tomada de decisões, porém percorreu um contraditório e lento caminho através das suas diferentes escolas: 

 

                   - Clássica

 

                   - Humanística

 

                   - Neoclássica

 

                   - Burocrática

 

                   - Estruturalista

 

                   - Neoclássica

 

                   - Comportamental

 

                   - Sistêmica

 

                   - Contingencial

 

 

         A Teoria Sistêmica da Administração contribuiu para a integração das demais, e a Contingencial introduziu a flexibilidade necessária para os momentos atuais. Neste ponto poderia ter ocorrido a interseção da Administração com os Sistemas de Informação e os Protótipos de Sistemas.

 

 

         Quando parecia oportuno aplicar na administração das atividades-meio os princípios da produção baseados na engenharia, surgiu a Qualidade Total, seguida pela Reengenharia.

 

 

         A evolução dos procedimentos da qualidade ocorreu, desde a Segunda Guerra Mundial, em paralelo com as citadas escolas administrativas. Foi a partir da sua adoção pelos Estados Unidos e Japão nas áreas produtivas e, mais recentemente, nos serviços e sistemas que os procedimentos da qualidade assim se estabeleceram: 

 

do Controle da Qualidade, centrado na eficiência verificada a posteriori, os procedimentos evoluiram para a; 

 

Garantia da Qualidade, baseada na eficácia de atingir-se os objetivos através das verificações antecipadas dos insumos e dos processos, alcançando a;

 

 

 

Qualidade Total por meio da efetividade da aceitação dos clientes, centrada na motivação de todos os participantes.

 

 

         Os programas de qualidade e produtividade, intensificados em nosso país nos últimos anos, vêm produzindo resultados satisfatórios em particular na área industrial. Para as atividades-meio, serviços e sistemas há alguns complicadores a serem solucionados. Um deles é que a concentração das atenções na motivação dos participantes pode esbarrar na falta de infra-estrutura do empreendimento para dar sustentação à própria motivação. Estimula-se os profissionais a "vestirem a camisa" da empresa e faltam "camisas" para todos!

 

 

         Outro complicador tem sido as expectativas decorrentes das melhorias gradativas, cuja lentidão frusta muitos participantes dos programas de qualidade.

 

 

         Outra dificuldade é harmonizar as realidades da empresa com a diretriz de que o cliente é o que há de mais importante. Em alguns casos, quando o cliente percebe que não há autenticidade ou meios para garantir as demonstrações de atenção que lhes são destinadas, tal procedimento pode soar falso.

 

 

         Uma das conquistas dos programas de qualidade tem sido a decorrente proteção legal aos consumidores dos produtos industriais. Porém, quando a Qualidade Total começa a se estabilizar e penetrar nas inexpugnáveis atividades-meio, trazendo as contribuições das motivações próprias das atividades-fim, chega de surpresa dos Estados Unidos a Reengenharia Empresarial

 

 

REENGENHARIA 

 

         O termo REENGENHARIA já vinha sendo usado no desenvolvimento de software, quando foi extendido para a área organizacional. Tanto no software como na área industrial, a Reengenharia, refazer a engenharia, deve ser precedida pela ENGENHARIA  REVERSA, engenharia no sentido inverso.

 

 

         Tal procedimento significa que a partir de um produto existente, que no caso do software corresponde ao código fonte dos programas computacionais disponíveis, inverte-se o processo de concepção e implementação da engenharia, gerando a correspondente documentação atualizada, ou até então inexistente, para tanto adotando-se as ferramentas da Engenharia de Software. A partir deste estágio é possível refazer a engenharia no seu sentido normal, introduzindo-se novas tecnologias ou soluções de propriedade do agente transformador, descaracterizando qualquer procedimento ilegal na obtenção de um novo produto.

 

 

 

         Ainda no caso do software, os "Benchmarking", simulações de desempenho operacional de sistemas , dos anos setenta, os Protótipos de Sistemas, oriundos da década de oitenta, e a Reutilização de Códigos, em crescimento com a tecnologia de Orientação a Objeto na presente década, são precursores da Reengenharia.      

 

 

 

         Há dez anos a informática vem crescentemente adotando as técnicas de elaboração de protótipos para a construção de sistemas computacionais. Somente com os recentes acréscimos de facilidades em "hardware e software" é que tem sido possível ampliar a utilização de Protótipos de Sistemas, que aceleram o desenvolvimento do software, com a participação e a aceitação dos usuários através do seu uso gradativo, elaborado com o apoio de linguagens interativas.

 

 

         As diferentes especialidades da engenharia já utilizam de longa data os protótipos, que exigem modelagem acurada para justificar os custos e reduzir os riscos de insucessos na produção efetiva dos seus produtos.

 

 

         Convém que se medite sobre estes precedentes antes de adotar isolada, ou de forma preciptada, recursos que devem ser complementares: 

 

                   - Engenharia reversa;

 

                   - Benchmarking;

 

                   - Reengenharia e

 

                   - Protótipo de Sistemas;

 

 

         No caso da Reengenharia Empresarial, os autores têm dado ênfase à revisão dos processos, orientando-os para os objetivos maiores dos negócios da empresa. Nada tem sido dito sobre a engenharia reversa, limitando-se a levantamentos da situação atual, a ser "destruída" pela própria reengenharia. Nos parece que se não existiu engenharia na concepção da empresa, como vimos no início deste artigo, e não ocorrendo a reversa, não pode existir reengenharia. Neste caso o termo passa a ser um modismo, que presta um desserviço à engenharia e às empresas!

 

 

         Nesta época de profundas mudanças, mais do que um modismo, a Reengenharia Empresarial pode contribuir para modernizar com seriedade as nossas empresas, resgatando o tempo perdido em que a engenharia, a nível mundial, não participou do Ciclo de Vida das Organizações e das suas Pessoas. A Reengenharia pode ser vista como um agente de integração de novas tecnologias com os respectivos recursos humanos, orientados para a produção de bens, serviços e software de interesse dos negócios e clientes dos empreendimentos (Fig. 1). 

 

 

 

 

 

 

Figura 1

 

 

 

         As engenharias da atualidade são interdisciplinares e integradoras através do uso da matemática e do software. A Reengenharia pode contribuir para quantificar e integrar os procedimentos empresariais orientados para os  objetivos dos seus negócios e clientes, através dos Fatores Gerenciais de Desempenho: Prazo, Custo e Qualidade (Fig. 2).   

 

 

 

 

 

 

Figura 2

 

 

 

         Os projetos de engenharia têm a vocação de quantificar prazos e custos para determinada qualidade dos seus produtos. A Reengenharia pode contribuir para intensificar, nas empresas, o planejamento e controle dos prazos e custos, conduzindo com mais rapidez os programas de qualidade. Para tanto convém que os procedimentos empresariais em todos os níveis da organização sejam  tratados no contexto dos seus Sistemas de Informação (Fig. 3), conforme abordado no artigo anterior.

 

 

 

 

 

 

Figura 3

 

 

 

 

 

         Os Sistemas de Informação, no contexto nacional para a  Reengenharia Empresarial, podem melhor integrar os procedimentos organizacionais e computacionais do que os processos tão citados na literatura americana. Nós necessitamos definir com mais nitidez as fronteiras organizacionais e computacionais do que outras nações que têm seus processos naturalmente mais racionalizados, com ênfase atualmente orientada para a automação. Já abordamos que os Sistemas de Informação constituem excelentes envoltórias para abordar tecnologias que produzem tecnologias, em particular as tecnologias organizacionais e da informação, constantes da figura 1, representativa da nossa proposta para a Reengenharia Empresarial.

 

         Sugerimos que, ao adotar a Reengenharia Empresarial, seja impositivo adotar novas tecnologias, aproveitando-se a oportunidade para harmonizar, com a mesma ênfase, a atenção aos produtos,  processos  e  clientes. Os processos para a concepção, desenvolvimento e utilização de qualquer produto constituem suas privilegiadas interfaces com os respectivos "clientes", clientes internos e externos à empresa.

 

 

 

TECNOFOBIA 

 

         Para exorcizarmos os medos da tenologia precisamos conter os modismos improdutivos, sem, no entanto, deixar de estudá-los para identificar suas possíveis contribuições. Não há modismos , nem tecnofobias, que resistam a uma boa  INTEGRAÇÃO!

 

 

         A China, crescendo a taxas muito altas, a despeito das suas contradições político-econômica em termos autoritário-liberalizante,  adota a "moratória tecnológica" para conter a pressão das novas tecnologias que não possam ser absorvidas pela área produtiva. A integração bem conduzida pelos gerentes de tecnologia é uma excelente alternativa para conter os modismos tecnológicos nas nações democráticas, sem estimular a tecnofobia ou a ignorância dos avanços  tecnológicos.        

 

         Por sinal, Reengenharia tem como pré-requisito visualizar novos processos em presença das novas tecnologias, caso contrário seria uma limitada racionalização de processos. Porém falar de avanços tecnológicos com os altos índices de desperdícios nacionais pode ser mais um desperdício! Já temos muitos recordes de desperdícios, como na construção civil, no estoque e preparo de alimentos, no lixo doméstico, na violência urbana, onde se destacam os acidentes de trânsito, um verdadeiro absurdo tecnológico! Poderíamos começar pela Reengenharia destas áreas?

 

 

         Se você tiver alguma proposta entre em contato com a nossa linha direta TeleFax (021) 22632847. Sínteses das sugestões poderão ser publicadas nesta seção mediante a sua autorização, e assim estaremos iniciando um "seminário virtual" de Reengenharia Social, em paralelo com as entrevistas que iniciaremos para estimular a divulgação das inovações tecnológicas. Dentre elas falaremos brevemente sobre os Requisitos para os Sistemas de Informação e sobre as Empresas Virtuais como agentes de desenvolvimento.

 

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